Home Data de criação : 07/10/06 Última atualização : 08/06/27 23:30 / 24 Artigos publicados
 

A outra versão  (minhas crônicas) escrito em sexta 27 junho 2008 23:30

     Aqui jaz uma outra versão de uma estória bastante conhecida. No entanto vista por outros olhos, olhos estes foram os mais utópicos que já conheci, mas esta será mostrada pelos oblíquos e dissimulados, aqueles de ressaca. Então comecemos pela minha morte, que não foi contada, mas apenas citada com frieza e descaso nos últimos capítulos da outra versão. Lembrando também que não sou uma autora defunta, mas defunta autora.

 

Vamos à morte...

 

       Morri de tristeza e desgosto ao não agüentar Ezequiel me perguntando sandices após ler uma carta do pai cujo conteúdo era a outra versão inacabada. Segui covardemente a idéia de Bentinho, tomei um chá e morri. Mas essa idéia não estava na carta, eu soube dessa com a perda de uma das melhores negras, que tomou de uma só vez o café deixado por Bentinho, que eu me lembro como se fosse hoje, antes tivesse esquecido, foi um dos piores dias da minha vida.

       Ouvir Bentinho negando ao filho ser seu pai foi como uma punhalada, e mesmo assim tentei remediar tudo e guardar comigo, como vinha fazendo desde pouco antes da morte de Escobar quando tudo começou a acabar, mas ele insistiu...Insistiu na idéia de renegar o filho, daí não pude mais fingir que nada estava acontecendo, então perguntei a origem de tal idéia e insisti também, até que ele falou, e falou, falou absurdos, coisas totalmente fantasiosas. Desconfiava que eu tivesse um caso com seu melhor amigo...Não pude conter a risada, pois era quase impossível, se ele às vezes passava mais tempo com o amigo que com a família, ele, ele me acusando, me fez lembrar certa vez em que, sentindo sua ausência cheguei a pensar que algo pudesse ter acontecido entre os dois no tal seminário, e porque não?! Não seria a primeira vez, li um livro uma vez que contava uma estória parecida.

         Então tudo começou a clarear...O modo que Bentinho enlouqueceu após a morte do “amigo”, Escobar, depois me acusar de adultério com base na semelhança do filho quase inexistente entre o folho e o “amigo”, na verdade só se pareciam os olhos que também se pareciam com os meus. De fato, eu e Escobar éramos parecido, ouve até quem dissesse que éramos irmãos, e eu realmente o considerava um, ele me aproximava de Bentinho de maneira inexplicável, e quando ele morreu tudo se foi, e por falar em morte, essa foi a outra base da acusação que me foi feita, tudo por que não tive nenhuma reação na hora do enterro,mas o que ele queria que eu fizesse?! Tivesse uma crise de choro?! Agisse como uma louca, como as tantas que lá haviam?! Não...Não...Quando vi todas aquelas mulheres olhei para a pobre Sancha, como ele pôde?! Será? Será que...E olhava fixamente o defunto como que esperando uma resposta.

 

Mas voltando ao assunto...

 

          Não...Nada disso foi o real motivo da desconfiança, e de todo o fantástico “teatro” (como ele mesmo trata na outra versão), o verdadeiro motivo era esse mesmo, a necessidade do teatro, a fuga da realidade, da monotonia, da “perfeição”. E foi exatamente essa “perfeição”, pois nada perfeito é perfeito, quer dizer...E os erros?! E todas essas coisas que a gente lê. Só assim, teríamos um final feliz.

 

                                                                                                    D. Capitolina                                                                                       

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