Aqui jaz uma
outra versão de uma estória bastante conhecida. No
entanto vista por outros olhos, olhos estes foram os mais
utópicos que já conheci, mas esta será
mostrada pelos oblíquos e dissimulados, aqueles de ressaca.
Então comecemos pela minha morte, que não foi
contada, mas apenas citada com frieza e descaso nos últimos
capítulos da outra versão. Lembrando também
que não sou uma autora defunta, mas defunta
autora.
Vamos à morte...
Morri de tristeza e
desgosto ao não agüentar Ezequiel me perguntando
sandices após ler uma carta do pai cujo conteúdo era
a outra versão inacabada. Segui covardemente a idéia
de Bentinho, tomei um chá e morri. Mas essa idéia
não estava na carta, eu soube dessa com a perda de uma das
melhores negras, que tomou de uma só vez o café
deixado por Bentinho, que eu me lembro como se fosse hoje, antes
tivesse esquecido, foi um dos piores dias da minha
vida.
Ouvir Bentinho negando ao filho ser seu pai foi como uma punhalada,
e mesmo assim tentei remediar tudo e guardar comigo, como vinha
fazendo desde pouco antes da morte de Escobar quando tudo
começou a acabar, mas ele insistiu...Insistiu na
idéia de renegar o filho, daí não pude mais
fingir que nada estava acontecendo, então perguntei a origem
de tal idéia e insisti também, até que ele
falou, e falou, falou absurdos, coisas totalmente fantasiosas.
Desconfiava que eu tivesse um caso com seu melhor
amigo...Não pude conter a risada, pois era quase
impossível, se ele às vezes passava mais tempo com o
amigo que com a família, ele, ele me acusando, me fez
lembrar certa vez em que, sentindo sua ausência cheguei a
pensar que algo pudesse ter acontecido entre os dois no tal
seminário, e porque não?! Não seria a primeira
vez, li um livro uma vez que contava uma estória
parecida.
Então tudo começou a clarear...O modo que Bentinho
enlouqueceu após a morte do “amigo”, Escobar,
depois me acusar de adultério com base na semelhança
do filho quase inexistente entre o folho e o “amigo”,
na verdade só se pareciam os olhos que também se
pareciam com os meus. De fato, eu e Escobar éramos parecido,
ouve até quem dissesse que éramos irmãos, e eu
realmente o considerava um, ele me aproximava de Bentinho de
maneira inexplicável, e quando ele morreu tudo se foi, e por
falar em morte, essa foi a outra base da acusação que
me foi feita, tudo por que não tive nenhuma
reação na hora do enterro,mas o que ele queria que eu
fizesse?! Tivesse uma crise de choro?! Agisse como uma louca, como
as tantas que lá haviam?! Não...Não...Quando
vi todas aquelas mulheres olhei para a pobre Sancha, como ele
pôde?! Será? Será que...E olhava fixamente o
defunto como que esperando uma
resposta.
Mas voltando ao assunto...
Não...Nada disso foi o real motivo da desconfiança, e
de todo o fantástico “teatro” (como ele mesmo
trata na outra versão), o verdadeiro motivo era esse mesmo,
a necessidade do teatro, a fuga da realidade, da monotonia, da
“perfeição”. E foi exatamente essa
“perfeição”, pois nada perfeito é
perfeito, quer dizer...E os erros?! E todas essas coisas que a
gente lê. Só assim, teríamos um final
feliz.
D. Capitolina
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